"Sinto-me como se tivesse cegado por excesso de olhar o mundo"
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11 de janeiro de 2011
18 de fevereiro de 2010
Onde moram as palavras?
Moram as palavras nas coisas
ou as coisas nas palavras ?
É mais real
É mais real
teu rosto
que te foi aposto?
É mais vermelha,
no canteiro , a rosa
ou em pétalas de prosa?
É mais urgente o amor
no coração
ou nos versos de Eugénio de Andrade?
Deram-nos uma casa de sílabas,
um assento de acentos,
dúvidas devidamente pontuadas,
os nossos sentimentos
só vibram
com pontos de exclamação!
Acordamos com a palavra
manhã
mas as letras cansadas da palavra
cansaço
escondem o sol nosso de cada dia.
E, quando a noite vier,
que seremos nós
senão um epitáfio
5 de fevereiro de 2010
Rosa Lobato de Faria 1932 - 2010
Quem me quiser há-de saber as conchas
a cantiga dos búzios e do mar.
Quem me quiser há-de saber as ondas
e a verde tentação de naufragar.
Quem me quiser há-de saber as fontes,
a laranjeira em flor, a cor do feno,
a saudade lilás que há nos poentes,
o cheiro de maçãs que há no inverno.
Quem me quiser há-de saber a chuva
que põe colares de pérolas nos ombros
há-de saber os beijos e as uvas
há-de saber as asas e os pombos.
Quem me quiser há-de saber os medos
que passam nos abismos infinitos
a nudez clamorosa dos meus dedos
o salmo penitente dos meus gritos.
Quem me quiser há-de saber a espuma
em que sou turbilhão, subitamente
- Ou então não saber coisa nenhuma
e embalar-me ao peito, simplesmente.

a cantiga dos búzios e do mar.
Quem me quiser há-de saber as ondas
e a verde tentação de naufragar.
a laranjeira em flor, a cor do feno,
a saudade lilás que há nos poentes,
o cheiro de maçãs que há no inverno.
que põe colares de pérolas nos ombros
há-de saber os beijos e as uvas
há-de saber as asas e os pombos.
que passam nos abismos infinitos
a nudez clamorosa dos meus dedos
o salmo penitente dos meus gritos.
em que sou turbilhão, subitamente
- Ou então não saber coisa nenhuma
e embalar-me ao peito, simplesmente.
4 de fevereiro de 2010
Almeida Garrett 1799 - 1854
Comemora-se hoje o nascimento de Almeida Garret.
Para assinalar esta data, deixamos aqui um poema deste grande escritor:
A um Amigo
Fiel ao costume antigo,
Trago ao meu jovem amigo
Versos próprios deste dia.
E que de os ver tão singelos,
Tão simples como eu, não ria:
Qualquer os fará mais belos,
Ninguém tão d’alma os faria.
Que sobre a flor de seus anos
Soprem tarde os desenganos;
Que em torno os bafeje amor,
Amor da esposa querida,
Prolongando a doce vida
Fruto que suceda à flor.
Recebe este voto, amigo,
Que eu, fiel ao uso antigo,
Quis trazer-te neste dia
Em poucos versos singelos.
Qualquer os fará mais belos,
Ninguém tão d’alma os faria.
in 'Folhas Caídas'
Boas Leituras!
Para assinalar esta data, deixamos aqui um poema deste grande escritor:
A um Amigo
Fiel ao costume antigo,
Trago ao meu jovem amigo

Versos próprios deste dia.
E que de os ver tão singelos,
Tão simples como eu, não ria:
Qualquer os fará mais belos,
Ninguém tão d’alma os faria.
Que sobre a flor de seus anos
Soprem tarde os desenganos;
Que em torno os bafeje amor,
Amor da esposa querida,
Prolongando a doce vida
Fruto que suceda à flor.
Recebe este voto, amigo,
Que eu, fiel ao uso antigo,
Quis trazer-te neste dia
Em poucos versos singelos.
Qualquer os fará mais belos,
Ninguém tão d’alma os faria.
in 'Folhas Caídas'
Boas Leituras!
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